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ATRELAGEM (Parte 2)

Doma:
   A idade ideal é a partir dos 3 anos, quando o animal passa de potro para adulto, e quando seu corpo já está mais preparado para iniciar os treinamentos e esforços. A idade também reflete na aprendizagem, isto é, quando eles são jovens são brincalhões , se distraem mais fácil, etc.

   Antes das etapas principais da doma, é recomendado a partir de que nascem já serem cabresteados e escovados frequentemente, tirando as cócegas do corpo, manias, etc., e se acostumando ao contato humano e a respeita-lo. A partir dos 18 meses já pode ser iniciado o trabalho na guia leve, 2 vezes por semana por 15 min, somente com cabeçada, sem bridão.
Os primeiros passos se assemelham ao da doma racional para sela.
1ª Etapa - trabalho na guia – Consiste em rodar o animal em círculo com uma cabeçada sem bridão e guia longa de 8 a 10 m e depois pode ser feita também com uma cabeçada com um bridão.

Roda-se para os dois lados, fazendo-o parar, andar ao passo, ao trote e ao galope, com o comando de voz. Normalmente começa-se com 15 min/dia até chegar a 1hora/dia e dura cerca de 15 dias, dependente sempre do animal e da raça escolhida. Se o animal já estava sendo trabalhado na guia desde potro, só é aumentado a freqüência do exercício e o tempo realizado por dia. Nesta fase pode-se colocar os arreiamentos de atrelagem para que o animal se acostume com eles batendo no corpo.
2ª - trabalho de rédeas longas (vulgo “charreteamento”) – Consiste em conduzir o animal do chão com 2 rédeas longas de cerca de 6 a 8 metros cada, que saem dos anéis do bridão apropriado, e passam pelos anéis laterais do selote com barrigueira, nesta fase também se coloca uma coalheira ou o arreamento completo da atrelagem para o animal ir se habituando. Esta etapa dura cerca de 15 dias.
3° - trabalho ao trenó/pneu – É uma etapa indispensável para a educação do cavalo de atrelagem. Consiste em colocar um pneu de caminhão ou trator , com duas cordas e um balancim saindo da coalheira ou do peitoral, e aí já se recomenda uma garupeira e uma fixação na cauda. O pneu é o material mais utilizado na iniciação para evitar qualquer machucado mais grave, caso o animal recue por cima, ou o pneu chegue a encostar em suas pernas, mas se utiliza também um pequeno trenó ou tora de madeira, normalmente após o animal ter se habituado a puxar o pneu , isto é, um objeto diretamente no chão. Esta etapa dura cerca de 15 dias.

4°-trabalho com um veículo – É a última etapa, e a mais delicada, que requer paciência e é prudente a ajuda de mais uma pessoa. Normalmente se utiliza um veículo simples e leve, com 2 varais de madeira e rodas, como uma charrete, ou até mesmo somente um aparato de PVC ou bambu sem rodas, com 2 varais e um suporte atrás, assim o animal habitua com a pressão dos varais nos costados, nas paletas, nas coxas e flancos. Nesta etapa podemos colocar apetrechos que façam barulho, para o animal se acostumar a não se assustar e ter confiança em quem o conduz, como também sair pela estrada, passando por caminhões, tratores, valas, água, etc.

E quando o animal estiver tranqüilo e fazendo todos os comandos, é a hora de colocar o veículo que ele vai trabalhar ou passear. Nas primeiras voltas o ideal é fazer numa pista e a pessoa que vai ajudar acompanha de perto o animal pela frente, podendo também ser colocado uma guia. Depois a pessoa acompanha o condutor em cima do veículo, e aí podem sair pelas estradas, esta etapa dura cerca de 20-30 dias, e no caso da atrelagem esportiva dura mais tempo, pois o animal precisa ser bem treinado, e aí pode chegar a 60-90 dias de treinamento.
Normalmente levamos de 2 a 3 meses para domar um animal para atrelagem, mas para ter um animal de total confiança, este período estende-se de 6 meses a 1 ano, o que vai depender da raça, e da função a qual se destina. Por isso, como no hipismo clássico, os melhores animais para atrelagem são animais acima de 5-6 anos.
A característica principal do Bretão e das raças de tração pesada, a docilidade, faz com que ele assimile melhor os comandos, aprendendo mais rápido que um animal de sela mais enérgico, ou de sangue quente. Com isso, pode-se ter um animal de confiança em menos tempo. Esta mesma característica aliada a ser muito paciente, também faz com que: mesmo ao deixarmos um bretao muito tempo parado, sem trabalhar, quando pegá-lo para atrelar , ele sairá do mesmo jeito que há alguns dias ou semanas atrás. O bretão surpreende no quesito energia, que ele tem de sobra, e faz com que ande tranquilamente ao trote alongado e peça a todo instante rédea, dando prazer a quem conduz e é conduzido dentro da atrelagem.

BOM PASSEIO!!!

ABRAÇOS

SUSANA


Amparo, 09 de junho de 2007
Susana Reinhardt Cintra

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